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Tecnifisio Lagos – Fisioterapia Multidisciplinar

Osteopatia Visceral e Obstipação: Existe uma relação?

A obstipação é um problema muito frequente que pode afetar pessoas de qualquer faixa etária. Embora seja muitas vezes associada a hábitos de vida, como uma alimentação pobre em fibra, ingestão insuficiente de líquidos ou reduzida prática de atividade física, a sua origem é frequentemente multifatorial.

Em muitos casos, fatores como alterações da motilidade intestinal, disfunções do pavimento pélvico, doenças gastrointestinais, medicação, alterações hormonais ou fatores psicossociais podem contribuir para o aparecimento ou manutenção da obstipação. Em algumas pessoas, poderão ainda coexistir alterações músculo-esqueléticas, cicatrizes cirúrgicas, dor abdominal persistente ou restrições dos tecidos moles da região abdominal, que justificam uma avaliação global do organismo.

É neste contexto que a Osteopatia Visceral pode integrar uma abordagem multidisciplinar.

O que é a Osteopatia Visceral?

A Osteopatia Visceral é uma área da osteopatia que procura avaliar a mobilidade e a relação funcional entre os órgãos internos e as estruturas músculo-esqueléticas e fasciais que os envolvem.

O seu objetivo é identificar restrições de mobilidade e alterações mecânicas que possam estar associadas a dor, desconforto ou limitações funcionais, integrando sempre a avaliação clínica global da pessoa.

Embora os princípios da Osteopatia Visceral assentem na relação entre mobilidade dos tecidos e função, a evidência científica disponível ainda é insuficiente para confirmar de forma consistente os mecanismos pelos quais estas intervenções poderão influenciar a função gastrointestinal. 

Qual poderá ser a sua relação com a obstipação?

Em algumas pessoas com obstipação, podem existir restrições mecânicas ou tensões nos tecidos que envolvem o intestino, o cólon, o diafragma ou a parede abdominal. Estas alterações podem estar relacionadas com:

  • Cirurgias abdominais;
  • Cesarianas;
  • Aderências cicatriciais;
  • Processos inflamatórios anteriores;
  • Alterações posturais;
  • Tensão muscular persistente;
  • Alterações da mobilidade da caixa torácica e do diafragma.

Nestes casos, a intervenção osteopática poderá ser considerada como uma abordagem complementar, procurando melhorar a mobilidade dos tecidos, diminuir a tensão dos diferentes sistemas corporais e otimizar o conforto e a função global da pessoa.

Importa referir que a Osteopatia Visceral não substitui o tratamento médico nem constitui um tratamento de primeira linha para a obstipação. O seu papel consiste em contribuir para melhorar as condições mecânicas e funcionais do organismo, podendo integrar uma abordagem multidisciplinar.

Na Tecnifisio, tratamos a obstipação em equipa!

A obstipação raramente resulta de uma única causa e, por isso, privilegiamos uma abordagem multidisciplinar. Por esse motivo, dependendo da avaliação clínica, a intervenção poderá envolver diferentes áreas de atuação.

A Fisioterapia Pélvica assume um papel fundamental quando existe disfunção dos músculos do pavimento pélvico, dificuldade em relaxar durante a evacuação ou necessidade de reeducação dos hábitos intestinais.

A Fisioterapia pode igualmente contribuir através da promoção da atividade física, da educação respiratória, do trabalho da mobilidade global e da redução de fatores músculo-esqueléticos que possam estar associados ao quadro clínico.

A Nutrição permite adequar a ingestão de fibra, líquidos e outros aspetos alimentares às necessidades individuais de cada pessoa.

A Osteopatia poderá integrar este plano de intervenção multidisciplinar.

Na nossa experiência clínica, na Tecnifisio, verificamos que os utentes com um quadro clínico de obstipação referem melhorias dos sintomas quando a Osteopatia é integrada num plano terapêutico individualizado. No entanto, reconhecemos que estes resultados decorrem da prática clínica e que a investigação científica disponível continua a ser limitada relativamente à eficácia específica da Osteopatia Visceral na obstipação (resultado da Osteopatia ser uma área recentemente reconhecida). 

Quando poderá fazer sentido uma avaliação?

Uma avaliação poderá ser útil quando existe:

  • Obstipação persistente;
  • Sensação de evacuação incompleta;
  • Esforço excessivo para evacuar;
  • Desconforto ou tensão abdominal frequente;
  • História de cirurgias abdominais ou pélvicas;
  • Obstipação associada ao pós-parto ou a alterações do pavimento pélvico.

Se sofre de obstipação há vários meses ou anos, uma avaliação poderá ajudar a perceber quais os fatores que estão a contribuir para o problema e quais as estratégias mais adequadas para o seu caso.

É de notar que, tal como já referido, a Osteopatia constitui uma abordagem complementar e não substitui a avaliação médica, sobretudo quando existem sinais de alerta, perda de peso inexplicada, sangue nas fezes, dor intensa ou alterações recentes do trânsito intestinal. 

Bibliografia 

  • Bharucha, A. E., et al. (2024). Perceptions, Definitions, and Therapeutic Interventions for Occasional Constipation: A Rome Working Group Consensus Document. Clinical Gastroenterology and Hepatology
  • Lee, Y. Y., et al. (2025). World Gastroenterology Organisation Global Guideline: Diagnosis and Management of Chronic Constipation
  • Bharucha, A. E., Staller, K., Neshatian, L., & Lembo, A. (2026). AGA Clinical Practice Update: Evaluation and Management of Refractory Constipation
  • Diagnosis and Treatment of Constipation: A Clinical Update Based on the Rome IV Criteria. (revisão clínica). 
  • Revisão sistemática sobre terapia visceral/osteopatia visceral (2023–2024), para enquadrar a definição e deixar claro que a evidência clínica permanece limitada.